Qual é a origem da língua portuguesa?

O português vem do galego?

«[…] Enfim: todos nós que dizemos falar português e todos os que dizem falar galego falamos qualquer coisa que teve origem nos falares da Galécia, ali no noroeste da Península. Durante séculos, o latim trazido pelos soldados e colonos romanos e adquirido por toda a população foi sofrendo transformações — não as podemos ver em tempo real, porque ninguém as registava ou escrevia, mas, muitos séculos depois, quando finalmente a língua começou a ser escrita, havia nesse território uma língua já formada, com verbos próprios, com formas próprias, com características que a identificam e a distinguem das outras línguas em redor.

O que chamavam as pessoas a essa língua que já era, em muitos aspectos, a nossa? Não lhe chamavam nem galego nem português: chamavam-lhe linguagem, com toda a probabilidade. Era a língua do povo. Nós, agora, olhando para trás, podemos chamar-lhe «português», o que não deixa de ser anacrónico, ou «galego», o que não deixa de assustar algumas almas mais sensíveis, ou «galego-português», para agradar a gregos e a troianos (como se esses fossem para aqui chamados). Na escrita, durante todos esses séculos do primeiro milénio, o latim continuou rei e senhor.

Quando Portugal se tornou independente, começámos a usar a língua que existia no território, que era ainda apenas o Norte. Não a escolhemos de imediato, pois nos primeiros tempos o latim ainda foi a língua oficial. Mas, devagar, a língua que era de facto falada começou a infiltrar-se nos textos escritos, às vezes de forma imperceptível, outras vezes de forma mais clara. Continuar lendo “Qual é a origem da língua portuguesa?”

Uma língua escondida por cima de Portugal

«Quando andamos pela Europa, estamos habituados a que ninguém nos compreenda quando falamos português. Ora, há um povo que percebe o que dizemos, mas nós nem notamos…

Quando vamos à Galiza, nem sempre reparamos que, além do castelhano, há por lá outra língua. E, no entanto, essa língua está bem visível em muitos locais. Por exemplo, nas placas da estrada. Sempre com cuidado (não vá bater no carro da frente), repare na «Rede de Estradas do Estado» por cima da castelhana «Red de Carreteras del Estado».

Se não puder ir lá ver ao vivo, deixo aqui uma foto para ajudar (o nome da «autopista» está em castelhano, mas a indicação da rede está nas duas línguas):

Depois, os nomes das terras estão em galego. A população sempre usou estes nomes, mas, durante algum tempo, os nomes nas placas da estrada foram escritos em castelhano. Hoje, não é isso que acontece. Os topónimos galegos são escritos, oficialmente, em galego: «A Coruña», «A Guarda», «Ourense», entre tantos outros.

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Galícia, o irmão gêmeo distante do português

Rafael Scapella: «ERRATA. A maior cidade da Galícia é Vigo e não Santiago de Compostela. Essa é a Galiza ou Galícia, uma comunidade autônoma da Espanha, onde além do espanhol se fala o galego, uma língua irmã do português. O idioma falado aqui, o galego é quase perfeitamente entendido por falantes do português. De fato, há até linguistas que argumentam que o galego e o português deveriam ser classificados como variedades do mesmo idioma e não como línguas distintas.»

aRi[t]mar celebrou a lusofonía

«O festival aRi[t]mar fechou esta cuarta feira en Compostela a súa sétima edición cunha gala na que a música e a poesía conviviron en harmonía, bañadas pola defensa da lusofonía, como é meta orixinal desta iniciativa. Sabíanse de antemán os nomes das e dos premiados, mais nin ese avance que lle restaba o efecto sorpresa foi quen de quitarlle brillo a gala da convivencia e a ruptura de fronteiras entre a Galiza e Portugal.

A “abrumadora vitoria feminina” foi seguida por un auditorio ao máximo da súa capacidade (600 persoas) […].»

Source: aRi[t]mar celebra a lusofonía que esvaece as fronteiras

aRi[t]mar​ – Música e Poesia

aRi[t]mar​ 2021 – Os mais de cinco mil votos do público emitidos no certame aRi[t]mar galiza e portugal promovido pela Escola Oficial de Idiomas de Santiago de Compostela  que promove a música e a poesia produzidas na Galiza e em Portugal.

 

Guadi Galego, com Cólico e Cláudia Pascoal, com Quase Dança são as grandes vencedoras da categoria música desta edição. Estes prémios, juntamente com os prêmios de poesia, e o prêmio da embaixada da amizade,  serão entregues na Gala aRi[t]mar 2021.

Segundo explicou o diretor da Escola Oficial de Idiomas, Gonzalo Constenla, o Prêmio voltou a gerar muitas boas expectativas, durante todo o processo de votação foi muito equilíbrado, quer nas músicas ganhadoras quer nas segundas e nas terceiras mais votadas até ao último minuto. Batemos o recorde de votação neste ano, com a participação popular mais alta de todas as edições anteriores.

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Galiza amplía lazos coa fala portuguesa coa estrea da iniciativa Rádio Pessoas

«O proxecto, con contidos dixitais, fai parte na Rede da Galilusofonía

A canle de comunicación Rádio Pessoas -no ar hai escasas semanas- naceu para dar voz á comunidade lusófona a nivel internacional e incluíu a Galiza como un dos territorios con principal protagonismo. O país figura como creador e destinatario das músicas e contidos culturais xunto con outras zonas do mundo con presenza do idioma portugués como Brasil, Cabo Verde, Angola, Timor Leste, Mozambique e o propio Portugal, entre outras. E conecta con ese mundo a través dun cadro de 50 colaboradores.

A través desta iniciativa que fai parte da Rede da GaliLusofonía, a Galiza amplía os lazos coa fala do país veciño, algo que o director xeral da iniciativa, Eron Quintiliano, considera totalmente normal e mesmo lóxico. “Levamos nove meses co proxecto e temos e teremos programas e músicas de todos os países de fala portuguesa; incluímos a Galiza pola relación histórica da lingua galaico-portuguesa”, sinala.

Desde o seu punto de vista, malia que en Rádio Pessoas estean representados territorios tan afastados como o país e San Tomé e Príncipe, por exemplo, cre que o público vai detectar os puntos en común.

“Portugal e Galiza é unha cousa soa, non facemos diferenza: temos unha cultura, un clima e unha gastronomía semellantes…”, reflexiona, ao tempo que destaca que no Brasil antes de “oficializarse” o portugués “falábase moito galego”.

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Ruben Martins: ‘O galego vai salvar-se no português? A situação linguística na Galiza’

‘Santiago de Compostela ouviu a “Grândola” do Zeca [Afonso] primeiro que todos os outros lugares: a 10 de Maio de 1972, o português José Afonso, que considerava a Galiza a sua “pátria espiritual”, tocou por ali a canção que se tornou num importante símbolo da Revolução de Abril. Hoje, a poucos metros do lugar onde o cantautor apresentou as estrofes «O povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade», está lá, há pouco mais de uma década, um parque imortalizado com o seu nome. O sentimento de José Afonso pela população que habita no Noroeste peninsular ficou registado num pequeno discurso que fez antes de interpretar “Achégate a mim, maruxa”, a 23 de Fevereiro de 1980, na Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço, nos arredores de Viana do Castelo. O espectáculo, gravado em disco, permite-nos recordar cada palavra do que ali se disse há mais de 40 anos: «A Galiza (…) pertence à mesma realidade cultural que Portugal, sobretudo o Norte de Portugal; mas por artes de berliques e berloques, partilhas, lutas entre senhores feudais, hoje existe uma fronteira a separar povos que têm praticamente a mesma língua e que são, aliás, muitíssimo semelhantes, até na sensibilidade. Portanto, os galegos falam galego, ou seja, galaico-português, e não castelhano. Infelizmente, durante a ditadura franquista, tudo foi feito para que os galegos se envergonhassem da língua que falavam”.

Sobre o uso de galego na rúa

Semella que hai trece anos na visión que tiña a xuventude do galego non o incluía como ferramenta para situarse con vantaxe no mundo. Nos últimos anos a Lei Paz Andrade, mellorábel na súa configuración e aínda máis na súa implantación no ensino secundario, non tivo tempo nin recursos para mudar esta situación. Por iso nace a asociación DGAP, para divulgar que o galego é unha plataforma innegábel desde a que estudar portugués e así converter os cidadáns galegos en privilexiados comunicadores no ámbito da lusofonía e da hispanofonía a un tempo. Un recurso desaproveitado desde sempre debido a unha visión empobrecida do que a nosa cultura é.

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«FICHA DO DOCUMENTÁRIO NO AVG: http://culturagalega.gal/avg/producci…

SINOPSE (GALEGO RAG): En que idioma fala a mocidade e por que? Perduran os estereótipos? Existe conflito por culpa da lingua? Que lle falta ao galego para estar normalizado? Este documentario profundiza na cuestión sociolingüística a través da xente nova, da primeira xeración da historia que tivo o galego como lingua oficial, co convencemento de que as experiencias e opinións desta xeración son a chave para entendermos o estado actual da lingua e os retos para o futuro.

SINOPSE (GALEGO INTERNACIONAL): Em que idioma fala a mocidade e porquê? Perduram os estereótipos? Existe conflito por culpa da língua? Que lhe falta ao galego para estar normalizado? Este documentário profundiza na questom sociolinguística através da gente nova, da primeira geraçom da história que tivo o galego como língua oficial, com o convencimento de que as experiências e opiniões desta geraçom som a chave para entendermos o estado actual da língua e os retos para o futuro.»

Cf. Telegaliza