Iria Taibo: “A liberdade (real) de escolha é muito importante, e o sentido prático também”

«Estamos a realizar ao longo de todo o ano, umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para darem-nos a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom de cara o futuro. Desta volta entrevistamos iria taibo, tradutora, intérprete e ativista da Mesa.

[…] Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Podem fazer-se muitas coisas, mas acho que se não há um apoio muito mais claro por parte das instituições é bastante difícil que nada mude. Desde a promoção do galego nas novas plataformas onde a mocidade toda está a participar até os retrocessos que é fácil detetar em partes muito importantes da própria administração (nomeadamente, a educação e a saúde, na minha opinião), as iniciativas pessoais e privadas de todo tipo são muito positivas e imprescindíveis, mas para mim é impossível que haja mudanças reais sem essa liderança do público.
Desde a iniciativa social, continuaria com o apoio a iniciativas muito transformadoras que existem, particularmente de valorização e de divulgação de espaços de presença prática do galego.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?
Sem dúvida. A liberdade (real) de escolha é muito importante, e o sentido prático também. Daria a bem-vinda a qualquer elemento que ajude e some.»

Source: Iria Taibo: “A liberdade (real) de escolha é muito importante, e o sentido prático também”

Manual Escolar português usa referência bibliográfica galega

O manual da Porto Editora para ensino secundário utiliza o livro de Marco Neves, “ O galego é o português são a mesma língua?”, editado pela Através Editora em 2019.

«O manual escolar usa o estudo de Marco Neves “O galego é o português são a mesma língua?” para documentar o tema arredor de literatura trovadoresca, em particular para a contextualizão histórica-literária. E aí explicasse para as crianças: “Tudo indica que a nossa língua começou nesse noroeste da Península, muito antes da criação de Portugal. Ninguém lhe daria nome, mas como estamos na Galécia, podemos falar de galécio -ou galego.

Quando chegamos ao século XII, a língua na rua era o tal galego, designado pelos seus falantes usando a palavra “linguagem” -era a língua da fala dos galegos e dos novíssimos portugueses. (…)”».

Source: Manual Escolar português usa referência bibliográfica da Através Editora

Bieito Romero: “Sou galego até o Mondego”

«Sou galego, ai, sou galego. Sou galego até o Mondego… Así di parte do retrouso dunha canción moi popular en Portugal hai xa algúns anos, e certamente coñecín moitos portugueses que pensaban e pensan así. O Mondego é único río importante portugués que non nace en territorio español, faino na serra da Estrela a case 1.500 metros de altitude para desembocar no Atlántico, na fermosa cidade de Figueira da Foz, distrito de Coimbra. E esa é a parte da canción que o famoso fadista e compositor contemporáneo Paulo Bragança gravou.

Sen querer meterme en polémicas ou en fonduras de carácter pasional, eu estou de acordo na irmandade galaico portuguesa con todo o significado histórico que ten e o que supón. Particularmente cada vez que vou a Portugal, síntome como se estivese na casa por moitos motivos que para min son obvios. O idioma é un deles e mesmo pasar varios días alí, sérveme para perfeccionar o meu propio galego. A paisaxe e a cultura son semellantes en moitos aspectos, a gastronomía é marabillosa, variada, abundante e aquí xa temos outro grande parecido con nós. O comportamento social e o carácter hospitalario dos portugueses é semellante ao noso, así como tamén as súas músicas tan directamente conexionadas coas nosas tanto en ritmos coma en instrumentos.

Así pois, resulta difícil trazar fronteiras, en realidade, tampouco estou seguro de que as haxa. Dentro desta nova fase do desconfinamento da pandemia no 2021 volvemos de novo aos escenarios con Luar Na Lubre, e de novo achegámonos a Portugal. Estivemos nun importante evento chamado Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo (Festim) e actuamos no cine teatro de Estarreja, distrito de Aveiro na rexión centro e tamén en O cinema de Oliveira de Azeméis no mesmo distrito. As entradas esgotáronse para escoitar e vivir a nosa música galega nos dous espazos cun público que gozou tanto coma nós con eles. Sentímonos queridos falando o mesmo idioma, compartindo momentos marabillosos intensos e entrañables con músicas e xantares nesta terra irmán da que eu xa teño saudades e gañas de volver o antes posible».

Cf. La Voz de Galicia

Ernesto Salgado Areias: Abraço ibérico

historia da civilização iberica de oliveira martins
Ernesto Salgado Areias

Na “História da Civilização Ibérica” (1879), o autor Oliveira Martins, numa abordagem sobre a criação da união ibérica referiu: “para dominarmos os espanhóis somos poucos, para sermos dominados somos muitos! Cada país deverá prosseguir o seu caminho sem pretensões hegemónicas e no respeito pela soberania. O autor veio dois anos depois, em 1881 a escrever ”O Portugal contemporâneo” baseado em alguma medida nas teses de Alexandre Herculano.

Muitas das ideias bebeu-as nas conferências do Casino, onde pontificou Antero de Quental cuja segunda conferência versou, sobre “As causas da decadência dos povos peninsulares” e o atraso de ambos os países a partir do século XVII.

As políticas isolacionistas de ambos os lados, as desconfianças feudais e o clericalismo exacerbado com séculos de Inquisição, de 1478 até 1834 em Espanha e de 1536 até 1820 em Portugal, encarregaram-se de escrever parte da História.

O tempo passou, as guerras, batalhas e torneios medievais e alguns amuos são passado comum de ambos os países e as pretensões hegemónicas de Franco ficaram sepultadas no Vale dos Caídos, como ficaram sepultadas em Santa Comba Dão, no cemitério da aldeia do Vimieiro, em campa despojada, as teses de Salazar, o “Orgulhosamente sós” e o colonialismo extemporâneo.

Vem a exumação destes registos históricos, a propósito da realização de mais uma cimeira entre Portugal e Espanha que decorreu na cidade da Guarda em outubro de 2020.

Chegou o momento de dar as mãos, de defender o todo peninsular de acordo com as melhores ideias venham elas de que lado vierem.

É tempo de cooperação na defesa de interesses comuns junto da Comunidade Europeia e de partilha com os demais países do sul. Se o tivéssemos feito na crise de 2008, tudo teria sido diferente, evitando o enxovalho a que os países do sul foram sujeitos, sobretudo Portugal e a Grécia.

Faz cada vez mais sentido um pacto no âmbito da educação e ensino, na cooperação universitária e científica, na investigação e na economia; um pacto na partilha de recursos como a água e a energia, nas comunicações e transportes com particular enfoque na alta velocidade e na cooperação transfronteiriça; cooperação também na segurança, nos recursos marítimos, na agricultura e na saúde sem deixar de aludir ao despovoamento de extensões consideráveis de território que assinalam a Espanha vaziada e o Portugal sem gente que envergonha os governos de Lisboa e Madrid.

Esta mudança de atitude creio dever-se a Espanha que deixou de tratar Portugal com sobranceria e parceiro menor.

Numa altura em que os países lusófonos estão varridos por regimes distópicos, em alguns casos autocráticos, que dificultam o relacionamento e cooperação francos e a convergência de interesses, o mesmo sucedendo com a hispano-américa, todos com os olhos em Washington, cabe aos países ibéricos, mais velhos e maduros unirem esforços para que a sua voz seja mais audível nos areópagos internacionais.

O que fizermos em conjunto, por certo, saberemos fazê-lo melhor.

Se outras lições esta pandemia da covid-19 não tiver trazido que fique esta: nenhum país é mais amigo de Espanha do que Portugal, do mesmo modo que sentimos hoje, mais do que nunca, que nenhum país é mais amigo de Portugal do que a Espanha. Somos e seremos para sempre o mesmo povo que deve unir-se num abraço de fraternidade há muito devido nos dois lados da fronteira.

*

Ernesto Salgado Areias é advogado e escritor

Serán válidos os documentos galegos oficiais escritos en portugués

«[…] A proposición non de lei (PNL) a prol da igualdade das linguas que chegou ao Congreso da man da Mesa pola Normalización Lingüística e outras entidades que traballan a favor do éuscaro, o catalán, o valenciano, o asturiano ou o aragonés -Plataforma per la Llengua, Òmnium Cultural, Kontseilua, Nogará, Ciemen, Iniciativa pol Asturianu, Escola Valenciana e Acció Cultural del País Valencià- agardáballe un percorrido cativo ante a imposibilidade de sumar os apoios de PSOE e PP. Viuse no debate do pleno do martes, onde estes partidos esgrimiron razóns como a «inconstitucionalidade» ou o puro ánimo de «confrontación estéril» para non sumarse ao proxecto. O diálogo non daba froito, e as posturas semellaban incompatibles. O respaldo de BNG, Unidas Podemos, ERC, EH Bildu, PNV, Junts per Catalunya, PDECat, CUP, Más País, Equo e Compromís non alcanzaba.

[…]

Así ocorreu. E foi a maneira de que se lograra este xoves no Congreso a aprobación parcial da proposición non de lei, o que A Mesa pola Normalización Lingüística considera «un pequeno paso cara á igualdade» e o respecto do plurilingüismo en España, que debe ratificarse co seu desenvolvemento por parte do Estado. Neste sentido, o Parlamento instará ao Goberno central a recoñecer a pertinencia e a necesidade de facer oficial o galego nos territorios das comunidades de Asturias e Castela e León onde se fala -Occidente Asturiano, León e Zamora-, espazos nos que debe ademais favorecerse o seu emprego. Do mesmo xeito, e atendendo ao que recolle a carta europea das linguas rexionais e minorizadas, aprobouse permitir a validez en Galicia de documentos oficiais escritos en portugués -na medida en que ambas linguas integran o mesmo sistema lingüístico- e tamén a reciprocidade na recepción de radio e televisión.

E, en última instancia, o Congreso acordou demandar un «respecto real» ao galego -e demais linguas cooficiais- baseado no dereito de uso e no deber de coñecemento, o que abre o camiño para a igualdade xurídica plena das linguas. Este punto foi aprobado cos votos a favor de todos os partido políticos (PSOE e PP incluídos), agás Vox. A importancia deste aspecto, apunta A Mesa, reside na novidade do deber -que asistía ao castelán- con respecto ao galego, o que garantirá a obriga dos funcionarios do Estado de coñecer o galego e de atender desde a Administración estatal en Galicia calquera reclamación ou documento que estea redactado en galego. […]».

Cf. La Voz de Galicia (12/03/2021)

Miguel Penas: Mais 40 anos para o galego? (2021-2061)

Em 2021 cumprem-se os primeiros 40 anos de oficialidade do galego. Nom foi até 1981 que a nossa língua, no nosso território, conquistou o seu atual status legal. Neste ano, uma vez aprovado o Estatuto de Autonomia, o galego passou a ser língua oficial, junto ao castelhano, e língua própria da Galiza com carácter legal. É importante tentar olhar isto com a perspetiva que merece porque a ‘normalidade’ linguística da que desfrutamos hoje é realmente recente e uma novidade na História galega. Uma perspectiva que talvez podamos atingir só com pensar que as pessoas de 50, 60, 70 ou mais anos, vivírom grandes partes da sua vida sem que existira esta oficialidade. Uma enorme percentagem da nossa populaçom que nom tivo nem rastro de galego em nenhuma das suas etapas formativas e outros ámbitos ‘formais’ das suas vidas, e no entanto som as faixas etárias que mais usam e nas que mais se conserva o galego como língua de uso comum e veícular.

Isto último evidencia uma certa contradiçom. Precisamente nestes últimos 40 anos em que as pessoas som alfabetizadas em galego e num contexto onde a língua adquire um status legal, algo imprescindível, é quando se produz uma queda de falantes e utentes como nunca antes. Uma queda que, mesmo, ameaça a continuidade do galego como língua de uso alargado na Galiza. Evidentemente, as transformações destes 40 anos nom se limitárom à construçom da Autonomia ou à oficialidade do galego, umha importante urbanizaçom da populaçom -referida nom só ao lugar onde mora- a enorme terciarizaçom da economia ou o aumento da influência no nosso dia-a-dia dos médios de comunicaçom -quase na íntegra em castelhano- com certeza que fôrom elementos chaves para compreender esta transformaçom linguística. Ainda assim, se queremos agir com honestidade, torna-se evidente a necessidade de avaliar estes 40 anos, tanto no que tem a ver com as políticas linguísticas fomentadas como no que tem a ver em como agimos como sociedade.

Volvendo a 1981, foi também nesse ano quando se constuiu a AGAL como resposta organizada duma parte da sociedade galega que se preocupava polo galego mas que nom concordava, nem concorda, com a estratégia linguística que nos separa do nosso tronco comum e da nossa língua portuguesa, brasileira ou africana. Nestes 40 anos a associaçom passou por diferentes etapas e fases, buscando adaptar-se às necessidades do país em matéria linguística. Assentando as bases filológicas e teóricas duma alternativa que procura ser mais útil e mais global mantendo a fidelidade com a nossa história, tanto da língua como da sua recuperaçom. Hai 40 anos nasceu a AGAL mas nom nasceu o reintegracionismo, porque esta tendência nasceu no mesmo momento em que na História moderna da Galiza começou a sentir-se a necessidade de padronizar, sistematizar e regularizar as falas próprias galegas. Um processo que para o castelhano se intensificou e consolidou desde o século XVIII e XIX com a força da construçom do Estado liberal. Portanto o galego chega muito mais tarde, e com muita menos força que o castelhano, a essa oficialidade.

Para aproveitar melhor a oficialidade e reverter a queda de falantes, últimos anos, da AGAL temos feito propostas e procurado soluções e alternativas. Atualmente formulamos um projeto global que nom vai dirigido só às pessoas reintegracionistas, nem tam sequer só às pessoas galegofalantes, senom ao conjunto da sociedade. Um projeto que recolhe uma proposta binormativista que procura dar cobertura legal a uma realidade que já existe na Galiza. Nom só dar cobertura legal senom mesmo tirar proveito desta riqueza e alargar ao conjunto da cidadania galega o aproveitamento das oportunidades do galego como língua internacional. Um projeto que parte da realidade atual mas que procura novas vias para transformar a situaçom atual e portanto visa uma nova estratégia e guiom para o galego.

Talvez soluções ou debates que em 1981 pareciam impossíveis, polo que for, agora nom sejam tal. Se queremos resultados diferentes para o 2061 possivelmente tenhamos que ter estratégias diferentes nos próximos 40 anos.

Cf. Nós Diario

Debate sobre o binormativismo do galego

No decurso de 2020 aconteceu um debate na imprensa sobre a pertinência de o galego possuir duas normas oficiais, a local (também chamada de nacional, “oficial”, institucional, etc), estabelecida e defendida pela Real Academia Galega, e a internacional (também chamada de internacional, histórica, lusista, etc), defendida pela Associaçom Galega da Língua. O presidente da AGAL, Eduardo Maragoto, e o secretário da RAG, Henrique Monteagudo, protagonizaram um interessante intercâmbio de ideias ao respeito:

Eduardo Maragoto: Carta aberta ao académico Henrique Monteagudo

Henrique Monteagudo: Resposta a Eduardo Maragoto

EM: Continuemos: “binormativismo” ou “reconhecimento oficial do português”?

HM: O galego internacional: un problema de comunicación

EM: Ampliar o repertório, para quê?