Ourense avança na lusofonia

A 24 de março de 2014, há sete anos, após ter sido aprovada por unanimidade pelo Parlamento galego, foi publicada no DOG a Lei 01/2014 para o uso da língua portuguesa e ligações com a lusófona, também conhecida por Lei Valentín Paz Andrade, pois este galeguista foi a inspiração empresarial e reintegracionista para promover a Iniciativa Legislativa Popular que, depois de colher mais de 17.000 assinaturas registadas e manuais, foi também unanimemente tomada em consideração pelo Parlamento galego. O Director-Geral da Política da Língua destacou recentemente o facto de o porta-voz no Parlamento ser um empresário, não um linguista ou um político, o qual dá uma ideia de como deve ser a base do novo consenso e do curso desta lei.

Na verdade, os empresários fornecemos consenso. E o consenso foi a chave não apenas na gestação e aprovação da lei. Também para o seu desenvolvimento são necessários generosidade política, profissionalismo, realismo e inteligência pragmática. É mais fácil nos encontrarmos nesse caminho do que passar por emoções e enteléquias subjetivas. Economia é isso: cuidar da casa, sendo este um espaço físico onde as relações de cooperação e responsabilidade são compartilhadas. A atividade dos empresários, as capacidades econômicas e tecnológicas para cultivar bens e aumentar a riqueza, também estão orientadas para o desenvolvimento social.

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Ernesto Salgado Areias: Abraço ibérico

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Ernesto Salgado Areias

Na “História da Civilização Ibérica” (1879), o autor Oliveira Martins, numa abordagem sobre a criação da união ibérica referiu: “para dominarmos os espanhóis somos poucos, para sermos dominados somos muitos! Cada país deverá prosseguir o seu caminho sem pretensões hegemónicas e no respeito pela soberania. O autor veio dois anos depois, em 1881 a escrever ”O Portugal contemporâneo” baseado em alguma medida nas teses de Alexandre Herculano.

Muitas das ideias bebeu-as nas conferências do Casino, onde pontificou Antero de Quental cuja segunda conferência versou, sobre “As causas da decadência dos povos peninsulares” e o atraso de ambos os países a partir do século XVII.

As políticas isolacionistas de ambos os lados, as desconfianças feudais e o clericalismo exacerbado com séculos de Inquisição, de 1478 até 1834 em Espanha e de 1536 até 1820 em Portugal, encarregaram-se de escrever parte da História.

O tempo passou, as guerras, batalhas e torneios medievais e alguns amuos são passado comum de ambos os países e as pretensões hegemónicas de Franco ficaram sepultadas no Vale dos Caídos, como ficaram sepultadas em Santa Comba Dão, no cemitério da aldeia do Vimieiro, em campa despojada, as teses de Salazar, o “Orgulhosamente sós” e o colonialismo extemporâneo.

Vem a exumação destes registos históricos, a propósito da realização de mais uma cimeira entre Portugal e Espanha que decorreu na cidade da Guarda em outubro de 2020.

Chegou o momento de dar as mãos, de defender o todo peninsular de acordo com as melhores ideias venham elas de que lado vierem.

É tempo de cooperação na defesa de interesses comuns junto da Comunidade Europeia e de partilha com os demais países do sul. Se o tivéssemos feito na crise de 2008, tudo teria sido diferente, evitando o enxovalho a que os países do sul foram sujeitos, sobretudo Portugal e a Grécia.

Faz cada vez mais sentido um pacto no âmbito da educação e ensino, na cooperação universitária e científica, na investigação e na economia; um pacto na partilha de recursos como a água e a energia, nas comunicações e transportes com particular enfoque na alta velocidade e na cooperação transfronteiriça; cooperação também na segurança, nos recursos marítimos, na agricultura e na saúde sem deixar de aludir ao despovoamento de extensões consideráveis de território que assinalam a Espanha vaziada e o Portugal sem gente que envergonha os governos de Lisboa e Madrid.

Esta mudança de atitude creio dever-se a Espanha que deixou de tratar Portugal com sobranceria e parceiro menor.

Numa altura em que os países lusófonos estão varridos por regimes distópicos, em alguns casos autocráticos, que dificultam o relacionamento e cooperação francos e a convergência de interesses, o mesmo sucedendo com a hispano-américa, todos com os olhos em Washington, cabe aos países ibéricos, mais velhos e maduros unirem esforços para que a sua voz seja mais audível nos areópagos internacionais.

O que fizermos em conjunto, por certo, saberemos fazê-lo melhor.

Se outras lições esta pandemia da covid-19 não tiver trazido que fique esta: nenhum país é mais amigo de Espanha do que Portugal, do mesmo modo que sentimos hoje, mais do que nunca, que nenhum país é mais amigo de Portugal do que a Espanha. Somos e seremos para sempre o mesmo povo que deve unir-se num abraço de fraternidade há muito devido nos dois lados da fronteira.

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Ernesto Salgado Areias é advogado e escritor

Jorge Mira: “A aproximação de Galiza a uma melhor competência no espaço lusófono tem uma utilidade inquestionável”

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«Neste ano 2021 há 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um status legal que permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisar este período, iremos realizar ao longo de todo o ano, uma série de entrevistas a diferentes agentes sociais para darem-nos a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom de cara o futuro.

Desta volta entrevistamos o físico, investigador e divulgador científico, Jorge Mira.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?
O Xabarín Club. Esse acervo de programaçom infantil da TVG, no momento de maior esplendor, era mui seguido por milhares de pessoas. E o mais importante, a maioria gente nova, num momento de crescimento pessoal quando se estabelece o prestígio percebido das línguas que nos rodeiam.

Menção especial tenho para o extraordinário labor de dobragem que se fez nas series estrangeiras. Nomeadamente, a dobragem de “As bolas do dragón” marca um fito na historia da TVG.

Estou a falar de algo que aconteceu há 20 ou 30 anos, na época previa à era da transmissão de vídeos por Internet, que está a mudar todo o paradigma televisivo. A conquista desse espaço é fundamental e deveria ser prioritária (esse é, de facto, um dos alicerces fundadores da CRTVG).

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situação na atualidade fosse melhor?
Falar com um físico de recuar no tempo é-che complicado, porque a física proíbe tal cousa… Piadas à parte, para certos assuntos procuro não cair no tentador erro de julgar o passado com os olhos do presente, que é uma operação que sai barata.

Em principio um pode pensar que se deveria ter apostado por uma maior presença nos meios de comunicação, mas quando boto a vista atrás e se somamos os formatos digitais, até parece que essa presença era maior há 20 ou 30 anos do que agora.

Também se pode pensar nos debates que houve a finais dos anos 70 e princípios dos 80 para fixar a norma do galego. Eu daquela era mui novo, e apenas posso opinar desde a distância temporal e com as referências que me transmitiram, desde logo; mas polo que me teve contado algum dos atores essenciais desse processo, se calhar seria bom um melhor entendimento. Seja como for, devemos valorar se estabelecermos uma normativa para o galego afastada da realidade da rua poderia conduzir a um maior efeito fugida dos galego-falantes (isso que se escuta às vezes: “esse galego normativo não é o real”).

No fundo, cumpre não esquecer que a situação do galego depende duma coabitação com o castelhano, um polo atrativo de grandíssimo poder. Voltando para a linguagem física, uma ideia interessante é especular com os efeitos de compensação derivados do fortalecimento do polo atrativo desde o português, que de certo modo fizesse balanço de forças. Certo é que esses balanços de forças nem sempre são instáveis, como uma pelota no cume duma montanha: ou cai para um lado ou para o outro. Isto é um reto de investigação mui interessante para a sociofísica.

O efeito da magnitude das forças para aplicar sobre o sistema é algo que também não é claro para mim, de facto não me atrevo a valorar se haveria mudar algo ou não. A força que tem o castelhano provêm dos falantes, por mera osmose, e até diria que o faz à margem da boa consideração que estes tiverem sobre o galego. No jogo de contrapesos que se estabelece, o temor é que a tensão de forças sobre o galego acabe por o separar da cidadania e por o converter em algo como o latim da baixa idade meia: uma língua investida em honra e respeito, mas só utilizada por uma minoria em certos espaços de elite e academia, quanto o grosso da população se move por outros lares…

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Disso falo nos meus artigos de investigação, como Interlinguistic similarity and language death dynamics, An analytic solution of a model of language competition with bilingualism and interlinguistic similarity, Non Trivial Coexistence Conditions for a Model of Language Competition Obtained by Bifurcation Theory e Coexistence in Exotic Scenarios of a Modified Abrams–Strogatz Model.

Como vedes, assinalo que, para modelarmos a dinâmica galego-castelhano, há dous parâmetros fundamentais: o prestígio percebido pela comunidade de falantes para cada uma delas e a perceção da distância que as separa (o prestígio é um parâmetro que sintetiza um  cúmulo de perceções que atribuem diferentes virtudes às línguas).
Quanto ao prestigio médio percebido, no meu grupo de investigação temos medido que é menor para o galego, algo que imagino que é óbvio para a maior parte da gente (olho, nem toda!), mas a possibilidade de que se poda chegar a quantificar como nós fizemos é algo muito satisfatório. Por isso, a primeira cousa para mudar é evidente: melhorarmos esse prestígio.

Como é que se faz isso? Também com estratégias que todos sabemos: presença do galego nos formatos médios de comunicação veiculares na gente de menos de 30 anos (isto inclui o apoio de pessoas referentes para essas faixas etárias). Para os de mais idade creio que é menos vital.

Quanto a distancia galego-castelhano, é-che um ponto no que cumpre ainda um debate. Nalguns trabalhos preliminares estamos a medir que, nas cidades onde o prestigio do galego caiu a pique, a distância percebida entre galego e castelhano é mui pouca. É dizer, é como se o facto de perceber que o galego é umha versão apenas uma miga distinta do castelhano (algo assim como um dialeto) fosse na sua contra e faga que o galego acabe diluído no castelhano.

Há anos fui convidado pelo Instituto d’Estudis Catalans para falar no seu programa de conferências magistrais, a fim de expor o meu trabalho. No debate posterior escutei pela primeira vez o termo “galleguització”: o efeito atraente que o castelhano tem sobre a norma do catalão, que estaria a provocar um processo de diluição da língua catalã na castelhana. Do próprio termo o que se entende é que, para eles, o galego era uma língua mais afetada por esse processo de diluição no castelhano.

Seria uma solução provocar um afastamento da norma com respeito ao castelhano (é dizer, adotar o paradigma luso), na busca dum corta-fogo?
Não sei. É possível mudar a norma num minuto, mas haveria de valorar qual seria a resposta inercial da massa de falantes. Seguiriam essa mudança ou, pela contra, afastariam-se do galego?

Nos nossos artigos de investigação temos analisado a estabilidade do sistema galego-castelhano e comprovamos que, se a distancia galego-castelhano aumenta, a capacidade de coexistência das duas línguas mingua (é dizer, a existência do galego passaria a um ponto instável). A questão é a parte quantitativa da pergunta. Essa mudança na capacidade de coexistência seria muita ou pouca? Seguimos a investigar…

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?

A nível global, não estou certo, pelo aumento da entropia e confusão que poderia produzir no corpo de falantes. Além disso, sendo prático, vejo-lhe utilidade, pessoalmente abofé, e vou pôr exemplos: o meu diretor de tese, José Rivas Rey, foi o fundador e primeiro diretor do Instituto de Nanotecnologia de Braga. Esse é o maior centro de investigação de Portugal, nado do cume hispano-luso de Évora, em 2005, como símbolo da união dos dous países. Quando o Presidente de Espanha e o Primeiro Ministro de Portugal resolveram a sua criação, escolheram o professor Rivas Rey para dirigir a  construção, e eu teve a honra de ser designado, junto com o professor Luís Liz Marzán, membro da sua equipa assessora, no marco da Secretaria de Estado de Investigação (para nos entender, o equilíbrio político foi: ente hispano-português situado em Portugal com gestores galegos). Nos anos seguintes, os galegos da equipa compreendemos o ótimo de termos uma boa competência numa variante do galego mais próxima à língua portuguesa… Isso é algo óbvio para mim a dia de hoje: dirijo o projeto de cálculo de expansão da Covid-19 financiado pelo Governo de Espanha em Galiza, e estamos em simbiose com o projeto homólogo que financia o Governo de Portugal  (cuja líder e uma professora da Universidade de Aveiro), e no dia a dia do trabalho os galegos botamos de menos uma maior mestria na comunicação com os portugueses.

Não descubro nada à gente leitora deste portal quando digo que o português é uma língua hegemónica: a 7a do mundo por número de falante como língua materna e a 9a por número de falantes totais. Por isso, qualquer medida que inclua uma aproximação de Galiza a uma melhor competência no espaço lusófono tem uma utilidade inquestionável. Invoco-o como um razoamento prático, por se outras rações mais vinculadas ao sentimento não forem dabondo. A língua portuguesa tem origens em Galiza (algo que as elites da filologia em Portugal esquecem muito mais do que imaginamos), e não deveríamos perder essa oportunidade estratégica. Há um par de anos organizei um foro no Conselho da Cultura Galega sobre a hora oficial e convidei um colega sevilhano e o responsável da hora oficial portuguesa. Quando estávamos os três físicos juntos, tínhamos de falar em inglês, mas quando o sevilhano marchava, ele falava em português e eu respondia em galego. O lógico.»

Cf. PGL

A Deputación promoverá a creación da “Casa da Lusofonia” con sede en Ourense

Associação impulsora Casa da Lusofonia

A Deputación sumará os seus esforzos aos da Associação impulsora da Casa da Lusofonia, ofrecendo tamén a súa disposición para que esta entidade teña a súa sede en Ourense. En xuntanza telemática co presidente, Daniel Lago, e secretario xeral, Xosé Carlos Morell, da Associacao impulsora da Casa da Lusofonía, Manuel Baltar plantexou a sinatura dun convenio entre ámbalas dúas entidades para conseguir un obxectivo “que entra de cheo coa Galicia que defendemos dedde a Deputación e cos evidentes vencellos coa lingua portuguesa”, dixo Baltar, engadido que Ourense “foi parte importante da Gallaecia, as nosas relacións con Portugal son innegables e seguimos dando pasos importantes como a entrada no Eixo Atlántico”. Na videoconferencia participou tamén o consultor Juan Carlos Piñeiro. 

A Casa da Lusofonía pretende artellarse tendo en conta precedentes como a Casa de América en Madrid -1992-, a Casa Asia en Barcelona -2001-, a Casa África en As Palmas -2006- ou a Casa Árabe en Córdoba -2006-. Manuel Baltar recoñece o traballo feito pola Associaçao e quere que a Deputación de Ourense fortaleza esta iniciativa, que deberá contar con adhesións e procedementos tanto nacionais como internacionais para a súa materialización. 

Segundo Manuel Baltar “trátase de poñer en valor a Lei 1/2014, do 24 de marzo, para o aproveitamento da lingua portuguesa e vínculos coa lusofonía”. Na súa exposición de motivos déixase claro que “o portugués, nado na antiga Gallaecia, é idioma de traballo de vinte organizacións internacionais, incluída a Unión Europea, así como lingua oficial de nove países e do territorio de Macau, en China. Entre eles figuran potencias económicas como Brasil e outras economías emerxentes. É a lingua máis falada no conxunto do hemisferio sur.”

A proposta de creación da Casa da Lusofonía fala de cooperación, de identidade e de estratexia xeopolítica, un escenario onde cobra especial relevancia a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), creada en 1996. A Deputación de Ourense súmase a este movemento e o fai asumindo o compromiso de acoller a sede da Casa da Lusofonía, “poñéndose a disposición da Associaçao e daqueles que se acheguen a esta reivindicación para que naza coa forza que merece”, afirma o presidente Baltar.

Cf. La Región

Miguel Penas: Mais 40 anos para o galego? (2021-2061)

Em 2021 cumprem-se os primeiros 40 anos de oficialidade do galego. Nom foi até 1981 que a nossa língua, no nosso território, conquistou o seu atual status legal. Neste ano, uma vez aprovado o Estatuto de Autonomia, o galego passou a ser língua oficial, junto ao castelhano, e língua própria da Galiza com carácter legal. É importante tentar olhar isto com a perspetiva que merece porque a ‘normalidade’ linguística da que desfrutamos hoje é realmente recente e uma novidade na História galega. Uma perspectiva que talvez podamos atingir só com pensar que as pessoas de 50, 60, 70 ou mais anos, vivírom grandes partes da sua vida sem que existira esta oficialidade. Uma enorme percentagem da nossa populaçom que nom tivo nem rastro de galego em nenhuma das suas etapas formativas e outros ámbitos ‘formais’ das suas vidas, e no entanto som as faixas etárias que mais usam e nas que mais se conserva o galego como língua de uso comum e veícular.

Isto último evidencia uma certa contradiçom. Precisamente nestes últimos 40 anos em que as pessoas som alfabetizadas em galego e num contexto onde a língua adquire um status legal, algo imprescindível, é quando se produz uma queda de falantes e utentes como nunca antes. Uma queda que, mesmo, ameaça a continuidade do galego como língua de uso alargado na Galiza. Evidentemente, as transformações destes 40 anos nom se limitárom à construçom da Autonomia ou à oficialidade do galego, umha importante urbanizaçom da populaçom -referida nom só ao lugar onde mora- a enorme terciarizaçom da economia ou o aumento da influência no nosso dia-a-dia dos médios de comunicaçom -quase na íntegra em castelhano- com certeza que fôrom elementos chaves para compreender esta transformaçom linguística. Ainda assim, se queremos agir com honestidade, torna-se evidente a necessidade de avaliar estes 40 anos, tanto no que tem a ver com as políticas linguísticas fomentadas como no que tem a ver em como agimos como sociedade.

Volvendo a 1981, foi também nesse ano quando se constuiu a AGAL como resposta organizada duma parte da sociedade galega que se preocupava polo galego mas que nom concordava, nem concorda, com a estratégia linguística que nos separa do nosso tronco comum e da nossa língua portuguesa, brasileira ou africana. Nestes 40 anos a associaçom passou por diferentes etapas e fases, buscando adaptar-se às necessidades do país em matéria linguística. Assentando as bases filológicas e teóricas duma alternativa que procura ser mais útil e mais global mantendo a fidelidade com a nossa história, tanto da língua como da sua recuperaçom. Hai 40 anos nasceu a AGAL mas nom nasceu o reintegracionismo, porque esta tendência nasceu no mesmo momento em que na História moderna da Galiza começou a sentir-se a necessidade de padronizar, sistematizar e regularizar as falas próprias galegas. Um processo que para o castelhano se intensificou e consolidou desde o século XVIII e XIX com a força da construçom do Estado liberal. Portanto o galego chega muito mais tarde, e com muita menos força que o castelhano, a essa oficialidade.

Para aproveitar melhor a oficialidade e reverter a queda de falantes, últimos anos, da AGAL temos feito propostas e procurado soluções e alternativas. Atualmente formulamos um projeto global que nom vai dirigido só às pessoas reintegracionistas, nem tam sequer só às pessoas galegofalantes, senom ao conjunto da sociedade. Um projeto que recolhe uma proposta binormativista que procura dar cobertura legal a uma realidade que já existe na Galiza. Nom só dar cobertura legal senom mesmo tirar proveito desta riqueza e alargar ao conjunto da cidadania galega o aproveitamento das oportunidades do galego como língua internacional. Um projeto que parte da realidade atual mas que procura novas vias para transformar a situaçom atual e portanto visa uma nova estratégia e guiom para o galego.

Talvez soluções ou debates que em 1981 pareciam impossíveis, polo que for, agora nom sejam tal. Se queremos resultados diferentes para o 2061 possivelmente tenhamos que ter estratégias diferentes nos próximos 40 anos.

Cf. Nós Diario

Debate sobre o binormativismo do galego

No decurso de 2020 aconteceu um debate na imprensa sobre a pertinência de o galego possuir duas normas oficiais, a local (também chamada de nacional, “oficial”, institucional, etc), estabelecida e defendida pela Real Academia Galega, e a internacional (também chamada de internacional, histórica, lusista, etc), defendida pela Associaçom Galega da Língua. O presidente da AGAL, Eduardo Maragoto, e o secretário da RAG, Henrique Monteagudo, protagonizaram um interessante intercâmbio de ideias ao respeito:

Eduardo Maragoto: Carta aberta ao académico Henrique Monteagudo

Henrique Monteagudo: Resposta a Eduardo Maragoto

EM: Continuemos: “binormativismo” ou “reconhecimento oficial do português”?

HM: O galego internacional: un problema de comunicación

EM: Ampliar o repertório, para quê?