Alunos de escolas do norte de Portugal e da Galiza rompem fronteiras através da arte

«O projeto «Meninos Cantores», que juntou 500 alunos de 17 escolas do Norte de Portugal e da Galiza, gravaram um disco com músicas tradicionais da eurorregião. Este trabalho vai servir para apoiar a candidatura luso-espanhola da Associação Cultural e Pedagógica Ponte…nas Ondas! ao Registo de Boas Práticas com o Património Cultural Imaterial da UNESCO […]».

Cf. Alunos de escolas do norte de Portugal e da Galiza rompem fronteiras através da arte – El Trapezio

César Morán: “Memória do Zeca”

José Afonso (Foto Rui Ochoa)

«Alguns nomes são imortais, ou ficam para sempre, que é o mesmo. Dias atrás, a propósito do Zeca, dizia-se que a arte nunca morre, e são os artistas que morrem, o qual é uma verdade relativa, pois da beleza, a meu ver, fica polo menos o nome, como da rosa, quer seja a rosa de Eco ou a de Yeats. E é assim que o nome de José Afonso –também conhecido polo diminutivo familiar Zeca Afonso– já tem um lugar na história como um dos artistas de maior relevo nos anos 60, 70 e ainda nos 80. Poucos como ele reuniram as qualidades de cantautor de intervenção social, maravilhosa voz de registo doce e claro, construtor de inúmeros textos e melodias, facilidade para ajeitar a cada letra a música mais própria, natural e à vez em linhas de modernidade.

Sempre seguimos o seu rasto, sendo para nós uma inquestionável referência, e é por isso que nos comprazeu participar, o passado 25 de novembro, na apresentação do livro José Afonso. Todas as canções, agora reeditado pola Associação José Afonso (AJA). Um livro de enorme interesse que já conhecíamos desde a primeira edição em 2010, com transcrições musicais, prefácio, notas e índices de Guilhermino Monteiro, João Lóio, José Mário Branco e Octávio Fonseca. O evento foi no espaço sempre acolhedor de Portas Ártabras, introduzido por Felipe Senén e com a presença e a palavra do Guilhermino Monteiro, vindo desde o Porto, assim como do Henrique Marques e o António Pimenta por parte da AJA. O amigo Xico de Carinho, figura essencial nas relações do Zeca com a Galiza, deu unidade a um ato nutrido de música, palavra e emoção, intervindo com as harmónicas nas canções que interpretamos, à vez que contava histórias pouco divulgadas […].»

Cf. CÉSAR MORÁN – Cantautor, compositor e escritor

Galícia, o irmão gêmeo distante do português

Rafael Scapella: «ERRATA. A maior cidade da Galícia é Vigo e não Santiago de Compostela. Essa é a Galiza ou Galícia, uma comunidade autônoma da Espanha, onde além do espanhol se fala o galego, uma língua irmã do português. O idioma falado aqui, o galego é quase perfeitamente entendido por falantes do português. De fato, há até linguistas que argumentam que o galego e o português deveriam ser classificados como variedades do mesmo idioma e não como línguas distintas.»

Apresentaçom do livro “José Afonso, Todas as Canções. Partituras, Letras, Cifras” em Ferrol

A AJA Galiza (Associaçom José Afonso) colabora com a apresentaçom do livro “José Afonso, Todas as Canções. Partituras, Letras, Cifras” que edita as partituras, letras e diagramas de acordes de 159 cançons da autoria do músico português José Afonso, compiladas e transcritas por Guilhermino Monteiro, José Mário Branco, João Lóio e Octávio Fonseca.

Cf. Portal Galego da Língua

Manual Escolar português usa referência bibliográfica galega

O manual da Porto Editora para ensino secundário utiliza o livro de Marco Neves, “ O galego é o português são a mesma língua?”, editado pela Através Editora em 2019.

«O manual escolar usa o estudo de Marco Neves “O galego é o português são a mesma língua?” para documentar o tema arredor de literatura trovadoresca, em particular para a contextualizão histórica-literária. E aí explicasse para as crianças: “Tudo indica que a nossa língua começou nesse noroeste da Península, muito antes da criação de Portugal. Ninguém lhe daria nome, mas como estamos na Galécia, podemos falar de galécio -ou galego.

Quando chegamos ao século XII, a língua na rua era o tal galego, designado pelos seus falantes usando a palavra “linguagem” -era a língua da fala dos galegos e dos novíssimos portugueses. (…)”».

Source: Manual Escolar português usa referência bibliográfica da Através Editora

Museu da Língua Portuguesa será reinaugurado com novas experiências para os visitantes

Espaço reabre ao público reconstruído, após incêndio. Conteúdo renovado vai combinar novas experiências audiovisuais e instalações marcantes 

Cf. La Voz de Galicia

«O Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo,  será reinaugurado no próximo dia 31 de julho, reconstruído após o incêndio que o atingiu em dezembro de 2015. Um dos primeiros museus totalmente dedicados a um idioma, instalado na cidade com o maior número de falantes de português no mundo, na histórica Estação da Luz, o Museu celebra a língua como elemento fundador da nossa cultura. Por meio de experiências interativas, conteúdo audiovisual e ambientes imersivos, o visitante é conduzido a um mergulho na história e na diversidade do idioma falado por 261 milhões de pessoas em todo o mundo.

A cerimônia oficial de inauguração, no dia 31, terá transmissão ao vivo pelas redes sociais do Museu (Facebook e YouTube). A posterior abertura ao público se dará sob as restrições determinadas pelas medidas de combate à COVID-19. Os ingressos poderão ser adquiridos exclusivamente pela internet, com dia e hora marcados, e a capacidade de público está restrita a 40 pessoas a cada 45 minutos. Os visitantes receberão chaveiros touchscreen para evitar toque nas telas interativas.

A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo em parceria com a Fundação Roberto Marinho e tem como patrocinador máster a EDP; como patrocinadores Grupo Globo, Grupo Itaú e Sabesp; e apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Governo Federal por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O ID Brasil Cultura, Educação e Esporte é a organização social responsável pela sua gestão.


Conteúdo revisto e ampliado 

O conteúdo do Museu foi atualizado. Em sua exposição de longa duração, o Museu terá experiências inéditas e outras anteriormente existentes, que marcaram o público em seus 10 anos de funcionamento (2006-2015). Entre as novas instalações estão “Línguas do Mundo”, que destaca 23 das mais de 7 mil línguas faladas hoje no mundo; “Falares”, que traz os diferentes sotaques e expressões do idioma no Brasil; e “Nós da Língua Portuguesa”, que apresenta a língua portuguesa no mundo, com os laços, embaraços e a diversidade cultural da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Cf. Museu da Língua Portuguesa

Continuam no acervo as principais experiências, como a instalação “Palavras Cruzadas”, que mostra as línguas que influenciaram o português no Brasil; e a “Praça da Língua”, espécie de ‘planetário do idioma’ que homenageia a língua portuguesa escrita, falada e cantada, em um espetáculo imersivo de som e luz. (Conheça o conteúdo completo abaixo)

Com curadoria de Isa Grinspum Ferraz e Hugo Barreto, o conteúdo foi desenvolvido com a colaboração de escritores, linguistas, pesquisadores, artistas, cineastas, roteiristas, artistas gráficos, entre outros profissionais de vários países de língua portuguesa. São nomes como o músico José Miguel Wisnik, os escritores José Eduardo Agualusa, Mia Couto, Marcelino Freire e Antônio Risério, a slammer Roberta Estrela d’Alva e o documentarista Carlos Nader. Entre os participantes de experiências presentes na expografia estão artistas como Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Laerte, Guto Lacaz, Mana Bernardes e outros.

Já a exposição temporária de reabertura do Museu, “Língua Solta”, traz a língua portuguesa em seus amplos e diversos desdobramentos na arte e no cotidiano. Com curadoria de Fabiana Moraes e Moacir dos Anjos, a mostra conecta a arte à política, à vida em sociedade, às práticas do cotidiano, às formas de protesto e de religião, em objetos sempre ancorados no uso da língua portuguesa.

O Museu foi concebido também com recursos de acessibilidade física e de conteúdo.


Novo terraço e reforço de segurança contra incêndio 

Um dos principais prédios históricos de São Paulo, marco do desenvolvimento da cidade e querido por toda a população, a Estação da Luz tem uma importância simbólica única: foi uma das portas de entrada para milhares de imigrantes que chegavam ao Brasil. Era lá que eles, depois de desembarcarem dos navios em Santos, tinham o primeiro contato com a língua portuguesa.

Com a completa recuperação arquitetônica e readequação de seus espaços internos, o Museu manteve os conceitos estruturantes do projeto de intervenção original – assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e seu filho Pedro, em 2006 ­–  e ganhou aperfeiçoamentos. No térreo, o museu abre-se à estação, reforçando sua comunicação com a cidade. Nos andares superiores, espaços foram otimizados, novos materiais foram introduzidos e o museu ganhou mais salas para suas instalações. E no terceiro piso haverá um terraço com vista para o Jardim da Luz e a torre do relógio. Este espaço homenageará o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que morreu este ano. A nova versão foi concebida por Pedro Mendes da Rocha e desenvolvida nas etapas de pré-executivo e projeto executivo pela Metrópole Arquitetura, sob coordenação de Ana Paula Pontes e Anna Helena Villela.

A reconstrução também incorpora melhorias de infraestrutura e segurança, especialmente contra incêndios, que superam as exigências do Corpo de Bombeiros. Entre as novas medidas, está a instalação de sprinklers (chuveiros automáticos) para reforçar o sistema de segurança contra incêndio. No caso do Museu, os sprinklers não são uma exigência legal, mas foi uma recomendação dos bombeiros acatada para trazer mais segurança para o projeto.

O Museu e a Estação da Luz têm um Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) conjunto, que garante a segurança para todos os usuários da Estação. É a primeira vez que a Estação da Luz obtém o AVCB, graças ao esforço conjunto do Museu e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Todas as etapas foram aprovadas e acompanhadas de perto pelos três órgãos do patrimônio histórico: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão de âmbito estadual; e Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).


Sustentabilidade: foco no selo LEED e madeira recuperada 

O museu também será reaberto com certificação ambiental. As diretrizes de sustentabilidade pautaram toda a obra, e o Museu obteve o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) — um dos mais importantes do mundo na área de construções sustentáveis — na categoria Silver. Entre as medidas estão a adoção de técnicas para economia de energia na operação do museu; a gestão de resíduos durante as obras; e a utilização de madeira que atende às exigências de sustentabilidade (certificada e de demolição) em todo o Museu.

Cerca de 85% da madeira necessária para a recuperação das esquadrias foram utilizados do próprio material já existente no edifício, com a reutilização de madeira da cobertura original, datada de 1946. Já na construção da nova cobertura, foram empregadas 89 toneladas (67 m³) de madeira certificada proveniente da Amazônia.

Os recursos necessários para a reconstrução do Museu da Língua Portuguesa foram de R$ 85,8 milhões – a maior parte do valor é proveniente de parceria com a iniciativa privada via lei federal de incentivo à cultura e indenização do seguro contra incêndio.


Cerca de 4 milhões de visitantes em 10 anos  

Em quase 10 anos de funcionamento – de março de 2006 a dezembro de 2015 -, o Museu recebeu cerca de 4 milhões de visitantes e promoveu mais 30 exposições temporárias. Entre os homenageados com exposições estiveram escritores como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Machado de Assis e Fernando Pessoa, além do cantor e compositor Cazuza. O Museu foi atingido por um incêndio em 21 de dezembro de 2015.

Durante a reconstrução, o Museu continuou em contato com o público por meio de atividades culturais e educativas, como as realizadas no Dia Internacional da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, desde 2017, e a mostra itinerante “A Língua Portuguesa em Nós”, apresentada em 2018 em países lusófonos da África, em Portugal e no Brasil.  Em 2020 e 2021, o Dia Internacional da Língua Portuguesa foi realizado de forma virtual, com série de eventos online que reuniram artistas de vários países de língua portuguesa […]».

Cf. Museu da Língua Portuguesa

Pedro Balado: o que “estamos perdendo por estar de costas ao mundo lusófono”

«[…] Vendo a situaçom sociolinguística na Galiza, como imaginas o panorama dentro de 20 anos?
Acho que vejo um pouco o que vemos todos: entre mal e muito mal. O número de falantes continua a descer e as medidas de protecção sobre a língua penso que são insuficientes. Faz falta uma intervenção urgente, provar coisas diferentes. Esse giro cara a norma portuguesa pode ser uma boa forma de abrir-nos a um mercado mais amplo.

O que achas que cumpre fazer para reverter a situaçom?
Acho que se queremos achegar-nos aos 240 milhões de potenciais falantes, devemos apartar um pouco o debate sobre a língua e mostrar conteúdos reais (televisão, comédia, literatura…) que nos estamos perdendo por estar de costas ao mundo lusófono. Há muitas culturas maravilhosas que temos a sorte de “consumir” sem ter que estudar uma língua. É de parvos não aproveitá-la.»

Cf. Portal Galego da Língua