A Deputación promoverá a creación da “Casa da Lusofonia” con sede en Ourense

Associação impulsora Casa da Lusofonia

A Deputación sumará os seus esforzos aos da Associação impulsora da Casa da Lusofonia, ofrecendo tamén a súa disposición para que esta entidade teña a súa sede en Ourense. En xuntanza telemática co presidente, Daniel Lago, e secretario xeral, Xosé Carlos Morell, da Associacao impulsora da Casa da Lusofonía, Manuel Baltar plantexou a sinatura dun convenio entre ámbalas dúas entidades para conseguir un obxectivo “que entra de cheo coa Galicia que defendemos dedde a Deputación e cos evidentes vencellos coa lingua portuguesa”, dixo Baltar, engadido que Ourense “foi parte importante da Gallaecia, as nosas relacións con Portugal son innegables e seguimos dando pasos importantes como a entrada no Eixo Atlántico”. Na videoconferencia participou tamén o consultor Juan Carlos Piñeiro. 

A Casa da Lusofonía pretende artellarse tendo en conta precedentes como a Casa de América en Madrid -1992-, a Casa Asia en Barcelona -2001-, a Casa África en As Palmas -2006- ou a Casa Árabe en Córdoba -2006-. Manuel Baltar recoñece o traballo feito pola Associaçao e quere que a Deputación de Ourense fortaleza esta iniciativa, que deberá contar con adhesións e procedementos tanto nacionais como internacionais para a súa materialización. 

Segundo Manuel Baltar “trátase de poñer en valor a Lei 1/2014, do 24 de marzo, para o aproveitamento da lingua portuguesa e vínculos coa lusofonía”. Na súa exposición de motivos déixase claro que “o portugués, nado na antiga Gallaecia, é idioma de traballo de vinte organizacións internacionais, incluída a Unión Europea, así como lingua oficial de nove países e do territorio de Macau, en China. Entre eles figuran potencias económicas como Brasil e outras economías emerxentes. É a lingua máis falada no conxunto do hemisferio sur.”

A proposta de creación da Casa da Lusofonía fala de cooperación, de identidade e de estratexia xeopolítica, un escenario onde cobra especial relevancia a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), creada en 1996. A Deputación de Ourense súmase a este movemento e o fai asumindo o compromiso de acoller a sede da Casa da Lusofonía, “poñéndose a disposición da Associaçao e daqueles que se acheguen a esta reivindicación para que naza coa forza que merece”, afirma o presidente Baltar.

Cf. La Región

Miguel Penas: Mais 40 anos para o galego? (2021-2061)

Em 2021 cumprem-se os primeiros 40 anos de oficialidade do galego. Nom foi até 1981 que a nossa língua, no nosso território, conquistou o seu atual status legal. Neste ano, uma vez aprovado o Estatuto de Autonomia, o galego passou a ser língua oficial, junto ao castelhano, e língua própria da Galiza com carácter legal. É importante tentar olhar isto com a perspetiva que merece porque a ‘normalidade’ linguística da que desfrutamos hoje é realmente recente e uma novidade na História galega. Uma perspectiva que talvez podamos atingir só com pensar que as pessoas de 50, 60, 70 ou mais anos, vivírom grandes partes da sua vida sem que existira esta oficialidade. Uma enorme percentagem da nossa populaçom que nom tivo nem rastro de galego em nenhuma das suas etapas formativas e outros ámbitos ‘formais’ das suas vidas, e no entanto som as faixas etárias que mais usam e nas que mais se conserva o galego como língua de uso comum e veícular.

Isto último evidencia uma certa contradiçom. Precisamente nestes últimos 40 anos em que as pessoas som alfabetizadas em galego e num contexto onde a língua adquire um status legal, algo imprescindível, é quando se produz uma queda de falantes e utentes como nunca antes. Uma queda que, mesmo, ameaça a continuidade do galego como língua de uso alargado na Galiza. Evidentemente, as transformações destes 40 anos nom se limitárom à construçom da Autonomia ou à oficialidade do galego, umha importante urbanizaçom da populaçom -referida nom só ao lugar onde mora- a enorme terciarizaçom da economia ou o aumento da influência no nosso dia-a-dia dos médios de comunicaçom -quase na íntegra em castelhano- com certeza que fôrom elementos chaves para compreender esta transformaçom linguística. Ainda assim, se queremos agir com honestidade, torna-se evidente a necessidade de avaliar estes 40 anos, tanto no que tem a ver com as políticas linguísticas fomentadas como no que tem a ver em como agimos como sociedade.

Volvendo a 1981, foi também nesse ano quando se constuiu a AGAL como resposta organizada duma parte da sociedade galega que se preocupava polo galego mas que nom concordava, nem concorda, com a estratégia linguística que nos separa do nosso tronco comum e da nossa língua portuguesa, brasileira ou africana. Nestes 40 anos a associaçom passou por diferentes etapas e fases, buscando adaptar-se às necessidades do país em matéria linguística. Assentando as bases filológicas e teóricas duma alternativa que procura ser mais útil e mais global mantendo a fidelidade com a nossa história, tanto da língua como da sua recuperaçom. Hai 40 anos nasceu a AGAL mas nom nasceu o reintegracionismo, porque esta tendência nasceu no mesmo momento em que na História moderna da Galiza começou a sentir-se a necessidade de padronizar, sistematizar e regularizar as falas próprias galegas. Um processo que para o castelhano se intensificou e consolidou desde o século XVIII e XIX com a força da construçom do Estado liberal. Portanto o galego chega muito mais tarde, e com muita menos força que o castelhano, a essa oficialidade.

Para aproveitar melhor a oficialidade e reverter a queda de falantes, últimos anos, da AGAL temos feito propostas e procurado soluções e alternativas. Atualmente formulamos um projeto global que nom vai dirigido só às pessoas reintegracionistas, nem tam sequer só às pessoas galegofalantes, senom ao conjunto da sociedade. Um projeto que recolhe uma proposta binormativista que procura dar cobertura legal a uma realidade que já existe na Galiza. Nom só dar cobertura legal senom mesmo tirar proveito desta riqueza e alargar ao conjunto da cidadania galega o aproveitamento das oportunidades do galego como língua internacional. Um projeto que parte da realidade atual mas que procura novas vias para transformar a situaçom atual e portanto visa uma nova estratégia e guiom para o galego.

Talvez soluções ou debates que em 1981 pareciam impossíveis, polo que for, agora nom sejam tal. Se queremos resultados diferentes para o 2061 possivelmente tenhamos que ter estratégias diferentes nos próximos 40 anos.

Cf. Nós Diario

Debate sobre o binormativismo do galego

No decurso de 2020 aconteceu um debate na imprensa sobre a pertinência de o galego possuir duas normas oficiais, a local (também chamada de nacional, “oficial”, institucional, etc), estabelecida e defendida pela Real Academia Galega, e a internacional (também chamada de internacional, histórica, lusista, etc), defendida pela Associaçom Galega da Língua. O presidente da AGAL, Eduardo Maragoto, e o secretário da RAG, Henrique Monteagudo, protagonizaram um interessante intercâmbio de ideias ao respeito:

Eduardo Maragoto: Carta aberta ao académico Henrique Monteagudo

Henrique Monteagudo: Resposta a Eduardo Maragoto

EM: Continuemos: “binormativismo” ou “reconhecimento oficial do português”?

HM: O galego internacional: un problema de comunicación

EM: Ampliar o repertório, para quê?

Ganhar a vida em galego (II)

«A proposta consiste em usar a Eurorregiom para ir muito mais além de um quadro de facilitaçom do “comércio externo” das empresas. Usá-la como umha unidade política transversal aos Estados, superando divisões estatais rígidas. A sobrevivência da nossa língua e cultura na Galiza vai de mãos dadas com a recuperaçom do espaço atlântico como plataforma económica e política, para o nosso progresso.

Trata-se de des-estrangeirar a Galiza em Portugal e Portugal na Galiza. Para nos misturarmos em todos os níveis: pessoal, laboral, legal, comercial, produtivo… Promover massivamente o movimento de pessoas no espaço atlântico, tirando partido da nossa língua comum “Galego ou Português” (GP). Agora está promovido só com Madrid. […]».

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Ganhar a vida em galego. E o futuro

«Observamos com consternaçom o abandono do galego, o corte na transmissom intergeracional que se vai mostrando cada vez maior, inquérito após inquérito. E a causa principal para pais e maes preferirem as crianças falando castelhano em vez de galego é, estudos apontam, terem a percepçom de ser impossível “ganhar a vida” com a nossa língua.

E com certeza, nom se negará, ganhar a vida num emprego, com produçom primária, com um negócio, como quer que seja… é tarefa quase impossível na nossa língua. O nosso espaço económico está marcado num quadro definido polo Estado, que estabelece umha “unidade económica” ou “unidade de mercado” cuja língua oficial de relacionamento é, tem que ser, o “castelhano ou espanhol”. É aplicada com firmeza como veículo de comunicaçom para trânsito e relações comerciais, laborais, administrativas, legais, empresariais, profissionais… […]»

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Charo Lopes: “Ter a língua em comum nom significa que tenhamos que partilhar posiçons políticas”

«[…] Como foi a tua passagem para o lado escuro da norma? Foi à velocidade da luz ou mais vagarosa?

Foi a partir da militáncia independentista, de forma autodidata e vagarosa, durante o liceu. Na universidade, em Compostela, já a usava normalmente.

Por onde julgas que deveria transitar o reintegracionismo para avançar socialmente e quais as áreas mais importantes?

Pola planificaçom linguística: Ter estratégias a médio e longo prazo. Mas nom tenho refletido muito nisto… Acho umha virtude do reintegracionismo a capacidade de ampliar perspetiva e procurar alianças parciais -ter a língua em comum nom significa que tenhamos que partilhar posiçons políticas-, e nom abandonar a atitude militante e o entusiasmo, isso é o que vai fazer a diferença entre um movimento vivo e a burocracia.

Porque te embarcaste no navio agálico? O que esperas do trabalho da associaçom?
Para poder participar das assembleias! Nom podo esperar nada se eu nom figer nada.

Em 2021 somamos 40 anos de oficialidade do galego. Como valorarias esse processo? Que foi o melhor e que foi o pior?
O processo foi de normalizaçom do espanhol, acho que o meu círculo é umha borbulha, mas a realidade, em particular nas cidades, é catastrófica.
O pior: responsabiliza as falantes e nom as estratégias institucionais.
O melhor? A autoorganizaçom social que nom delegou: todos os projetos coletivos que se levárom adiante sem estar à espera de subsídios nem reconhecimentos.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2050 em Boiro e na Galiza?
Em trinta anos podem passar muitas cousas… Gostaria que o galego fosse língua veicular, de uso hegemónico na república galega. Que haja centros de estudo de línguas em todas as vilas, que no ensino se aprendam duas ou três línguas mais, chinês e árabe, por exemplo.»

Mais no Portal Galego da Língua

Valentín García: “Quiçá houvo um excesso de autoconfiança”

«[…] Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situaçom na atualidade fosse melhor?

lindeiros.gal

Quiçá houvo um excesso de autoconfiança, no sentido de que a grande base social com que contava o galego, com percentagens de falantes ainda hoje chamativas para umha língua minoritária de Europa, nos fijo minimizar até há relativamente pouco tempo o problema da ruptura da transmissom familiar e do uso do galego entre as novas geraçons. Ainda assim, essa ruptura da transmissom ralentizou-se com a chegada da democracia, porque se incides no prestigio da língua e na sua utilidade social e económica, reduzes as razons que podem ter os pais e nais para abandonar o galego na educaçom dos filhos. Em todo caso, é um âmbito em que se pudo incidir mais, vista a profunda transformaçom que estava a experimentar Galiza, com o crescimento das cidades e a perda de peso do sector primário, duas mudanças que minarom o ecossistema privilegiado que o galego tinha, e ainda tem, no mundo rural. […]

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Há um âmbito mui importante, que é o da empresa, onde estamos a tentar atuar desde que aprovamos o Plano de dinamizaçom do galego no tecido económico. A vigência do plano acaba neste 2020, e cuido que deu os seus frutos, mas nós continuaremos a trabalhar, porque é fundamental que o galego se veja como um idioma útil no mundo laboral para que as famílias e a gente nova se decidam a empregá-lo. Também é importante continuar a trabalhar para que as tecnologias da informaçom e da comunicaçom se desenvolvam na língua própria da Galiza e, em geral, cuido que há que prestarlhe umha especial atençom à cultura juvenil, tal e como se propom no nosso Plano de dinamizaçom da língua galega na mocidade 2019-2022.  Outro espaço onde eu gostaria de avançar mais, algo para o que devemos contar com o apoio do governo de Espanha, porque depende em boa medida del, é o da justiça. Nom é que aqui nom houvesse avanços, mas cuido que todos gostaríamos de que ainda fossem mais.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, umha similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?
A Junta de Galiza vai aceitar a decissom que, em matéria de normativa, adote a Real Academia Galega, que é quem tem atribuída esta competência. Se a Real Academia Galega o vê factível, a Junta também; se nom o vê viável e só há umha norma oficial, esta será a que use a Junta.»

Cf. Portal Galego da Língua

Samuel F. Pimenta: “O canto da sereia”

Samuel Pimenta com Pedro Casteleiro na Corunha, por A. Ferreiro (2016)

«[…] Apesar de todo o reconhecimento da Galiza como parte fundamental — e genética — da Língua Portuguesa, não é a legitimação estatal e institucional a definir a importância daquele território no seio da história e do futuro da nossa Língua, até porque tais reconhecimentos são, frequentemente, motivados por movimentos estratégicos, que facilmente podem conduzir à instrumentalização em função de agendas de interesses. A Galiza já era indispensável para a consciência linguística do português antes de todo o reconhecimento institucional dos últimos anos, reconhecimento esse que considero importante, mas jamais um substituto das relações vivas que sempre existiram entre galegos e outros falantes da Língua, nomeadamente com os portugueses. Sabemos como os Estados tendem a apropriar-se da memória, e a CPLP é, antes de mais, uma representação dos Estados, por isso lembro que os Estados e as instituições só se viram na inevitabilidade de reconhecer o valor da Galiza para o português porque, antes de nós, homens e mulheres, durante séculos de História, resistiram para que a memória da Língua não se perdesse — e continuarão a fazê-lo. A adesão da AGLP à CPLP é apenas mais um ponto na longa cronologia da resistência da Galiza dentro do Estado Espanhol. Sim, porque é disso que se trata, de resistência.

Começou com Castela a dominar o Reino da Galiza. O franquismo deu continuidade à opressão, proibindo o ensino do galego nas escolas, em benefício do castelhano. Hoje, ainda há uma política violenta por parte de Espanha para eliminar qualquer brecha que ponha em causa a ideia de “hispanidade”: além da forte orientação do Estado para uma política linguística na Galiza, em que o galego ainda é menorizado, somam-se os episódios de repressão policial à sociedade civil, com revistas policiais a algumas casas pela noite dentro e sem mandato; detenções pela posse de certos livros; acusações de terrorismo com base no uso do lema que Castelão inscreveu no escudo que criou para a Galiza, e com o qual iniciei este texto; intimidações a quem defende a terra da avidez das corporações; e as agressões policiais em manifestações, como as que ocorreram em Compostela, em Maio deste ano, quando vários cidadãos da cidade decidiram protestar contra a ordem de despejo da associação Escárnio e Maldizer. Convém, ainda, apontar a exclusão de que são alvo os escritores galegos que escrevem em galego internacional — ou português –, tanto por parte de instituições públicas, como a Real Academia Galega e o Conselho da Cultura Galega, como por parte de editoras e organizações de prémios literários, subservientes que são ao poder.

Em 2016, tive oportunidade de passar o mês de Outubro na Galiza, onde me confrontei com muitos destes casos. Mais do que o choque pelo que me foi relatado, surpreendeu-me o silêncio, tanto por parte da União Europeia, que parece ignorar a violência policial do Estado Espanhol — violência essa legitimada pela chamada “Lei Mordaça” –, como por parte de Portugal, que tendencialmente vive virado para os países e regiões que dominou, imerso numa narrativa imperial saudosista que lhe tolda a visão, e raramente se volta para os povos que vivem do outro lado da fronteira e com quem partilha um território comum, a Península Ibérica. A minha surpresa — e tristeza, confesso — não vem tanto pelo silêncio das nossas instituições estatais ou dos media, que esses só têm vindo a perpetuar uma narrativa em que a Galiza não tem lugar. Surpreende-me, acima de tudo, o silêncio por parte da sociedade civil, em especial o dos escritores, que pelo seu ofício deveriam conhecer o valor da Galiza para a memória e o futuro da nossa Língua. E, mais do que isso, deveriam questionar as narrativas que o Estado Português e os seus elementos de propaganda nos impõem há séculos […].»

Cfr. Caliban – Revista de Letras, Artes e Ideias

Don Ricardo Carballo Calero desde os tempos da «Lúa Nova»

Carvalho Calero, en 1978 © http://deferrolparaelmundo.blogspot.com.es/

Xulián Maure Rivas (cf. Praza Pública): «Don Ricardo Carvalho Calero (nacido Carballo Calero) merece unha explicación. Non son eu o máis indicado para dala, pero si podo achegar pequenas luces que iluminen escuras preocupacións de quen traballou pola súa terra sen deixar de sorprender cada día a alumnos e colegas. Cando cheguei a universidade de Compostela, para moitos D. Ricardo era o profesor máis culto da Facultade; as súas licenciaturas en Dereito (1931) e en Letras con premio extraordinario (1935) foron as portas que lle abriron un longo camiño, onde corenta anos máis tarde seguía pisando con autoritas nas aulas compostelás.

Ademais de ser alumno seu, tiven relación con D. Ricardo como editor, cando en Galicia había a necesidade de dispoñer dun sistema ortográfico para poder editar libros en galego, destinados fundamentalmente ás novas xeracións. Faltaba máis dun lustro para termos a Lei de Normalización Lingüística de 1983 e os editores galegos tiñan que escoller entre as normas da Real Academia, elaboradas por Carballo Calero, e os métodos de galego que editaran no Instituto da Lingua Galega. A falta de unidade nas teorías lingüísticas, nos intereses de grupo, na visión do futuro e nos criterios pedagóxicos facía imposible que os editores chegasen a ter unha norma segura, con varios lustros de estabilidade, para o traballo editorial que cumpría en Galicia tras a ditadura que rematara en 1975.

Como editor para Galicia da editorial Anaya, programei os primeiros libros de lectura en lingua galega destinados aos cinco primeiros cursos de EXB, serie que levou o nome de «Lúa Nova». Para poder editalos convencín aos responsables do Instituto da Lingua Galega da necesidade de promover un seminario para a unificación das normas lingüísticas do galego. Foi un longo traballo desde decembro de 1976 a xuño de 1977. Así foi recollido por Manuel Rivas na revista Teima de maio de 1977: “Ante a necesidade inmediata de ter un galego fixado prós textos escolares denantes das eleccións, e a traveso do Instituto da Lingua Galega (ILG), convocáronse en decembro unhas xuntanzas que se viñeron celebrando hastra agora e nas que participaron lingüistas, escritores, mestres, etc. Xa hai uns acordos mínimos, acordos que, ó estaren presentes representantes de diversas «tendencias» veñen ser unha base moi importante para acada-la tan desexada normativización”. Rivas titulou o seu artigo “Poñerlle pés á escrita” e deu conta dos participantes nas reunións do seminario, primeiro quincenais e de contado semanais, distinguindo entre os que levaban o peso do traballo e asistían practicamente a tódalas reunións e os que participaron nalgunhas das sesión. No primeiro grupo estaban “Constantino García, Antón Santamarina, Camilo Flores, Xosé L. Rodríguez, M. González González, Charo Álvarez, Francisco Fernández Rei, Xosé-Martiño Montero Santalla, Torres Queiruga, Paco Martín, X. L. Méndez Ferrín, Bernardino Graña, Xulián Maure, Xoan Babarro, X. Alonso Montero, Arturo Reguera, X. Mª Lema Suárez e Felipe Martínez Marzoa”. No segundo grupo estaban incluídos “Carballo Calero, Paco del Riego, Ramón Piñeiro, Carlos Casares, Rábade Paredes, Valentín Arias, Ramón Lorenzo, Xosé Chao Rego, Xosé Fortes Bouzán, Manuel Espiña, Mª Camino Noia, Salvador García Bodaño, Alfredo Conde, Ramón Fraga, Carlos García Martínez, Guillermo Rojo, Harguindey Banet, Manuel Vidán, Masó, Ricardo Palmás, Ríos Panisse e Baltar”. Algúns deste último grupo asistiron soamente unha ou dúas veces, cando coincidía o seu paso por Santiago cunha xuntanza do seminario.

Don Ricardo asistiu ás primeiras reunións e deixou de asistir xustificando a súa ausencia por ter convocado, tamén para os sábados, un curso de doutoramento. O certo é que o protagonismo dos membros máis novos do ILG, que dispoñían de toda información recollida para o Atlas Lingüístico de Galicia, reduciu as actuacións dos académicos a pouco máis que a súa presencia. Antigos alumnos de quen era o único catedrático de Lingüística e Literatura Galegas elaboraban as propostas que despois entre todos –lingüistas, académicos, profesores, escritores, editores, mestres, xornalistas– discutían, modulaban e finalmente votaban. Se había unha boa maioría, acordaban e pouco a pouco en seis meses entre todos aprobaron as Bases pra unificación das normas lingüísticas do galego. Estas cousas das normativas ortográficas, comentou xa desde fóra D. Ricardo, non se poden facer con votacións democráticas.

Os distintos autores da serie de lecturas escolares «Lúa Nova», todos eles participantes no seminario, tiveron que esperar a que as Bases pra unificación fosen publicadas e apoiadas polas institucións. Segundo o académico D. Ramón Piñeiro, que participou ata o final no seminario, a urxencia da publicación e distribución non aconsellaba solicitar da Real Academia Galega unha coedición das Bases co ILG da Universidade de Santiago, pois a RAG crearía unha comisión interna, que dirixiría Carballo Calero, e tardarían máis dun ano en dar resposta.

Xa estabamos no último trimestre de 1977 e como editor de Anaya decidín facer unha edición non venal das Bases para distribuír entre o profesorado de Galicia como agasallo de Nadal. Propúxenlle a D. Ramón Piñeiro que polo menos conseguise do Presidente de RAG un limiar para esta edición. Pediume un borrador e a volta de correo García Sabell devolveuno co engadido do adverbio “fundamentalmente” para destacar o “valor experimental das normas propostas”. A edición saíu polo Nadal dese ano, con 16.000 exemplares que se repartiron entre xornalistas, escritores e o profesorado galego. En poucos días D. Ricardo Carballo Calero xestiona tamén unha reedición de Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego que publicara a Real Academia Galega seis anos antes (1971).

Para os que elaboraran as Bases o futuro de Galicia estaba na alfabetización das novas xeracións galegas. A normativa ortográfica proposta estaba destinada máis para poder escribir a nosa lingua que para ler os nosos escritores, pois lendo non se cometen fallos ortográficos. Este paso atrás de D. Ricardo afastou vidas e afectos, ruptura que aínda hoxe moitos lamentan. Pero sobre todo creou unha polémica que invadiu xornais, revistas, libros de conversas e loitas académicas que ninguén ten ánimos de celebrar.

Cando un se achega a esta literatura polémica sobre a ortografía aparecen os distintos obxectivos que moven o debate: desde buscar un instrumento de comunicación escrita para a comunidade lingüística galega, ata facilitar unha aproximación política entre Galicia e Portugal dentro dunha futura “Confederação Ibérica”; desde facilitar a aprendizaxe da lectoescritura mediante unha ortografía guiada pola fonoloxía da lingua oral ou, pola contra, retornar a criterios etimolóxicos que resuciten formas arcaicas sen correspondencia coa lingua actual. Non é infrecuente que nestes debates aparezan sintagmas, que nada teñen que ver coas disciplinas lingüísticas, como “ortografía patriótica” ou “escritores traidores”. Estas expresións esconden soamente sentimentos de autoestima feridos ou de defensa de grupos de militancia singular, moi lonxe de planificar un instrumento de futuro para a creación e comunicación escrita.

Era 1980 e os cinco libros escolares da serie de lecturas galegas «Lúa Nova» estaban xa repartidos por moitas escolas de Galicia. Grazas ás Bases pra unificación das normas lingüísticas do Galego os editores tiñamos unha incipiente normativa ortográfica, pero que aínda non era oficial. Xa había un ano que fundara Edicións Xerais e estaba preparando co grupo de mestres Avantar a serie «O noso galego» para os oito niveis de EXB. Levaba a Consellería de Educación da Xunta de Galicia o profesor Alexandrino Fernández Barreiro e había pouco tempo que nomeara a D. Ricardo Carballo Calero presidente da Comisión Lingüística da Xunta de Galicia. Nesta Comisión tamén estaban dos profesores amigos polos que souben que as normas que Carballo intentaba aprobar eran do tipo “pódese escribir A, pero tamén se pode escribir B” como resumiu na súa tese Serafín Alonso [Serafín Alonso Pintos (2006): O proceso de codificación do galego moderno (1950-1980). A Coruña: Fundación Pedro Barrié de la Maza, 276]. Cada quen tiña liberdade para escoller entre varias posibilidades. Achegueime a Santiago para falar co conselleiro e, mesmo na porta do seu despacho, cadrei co meu vello profesor Carballo Calero. “Teñen que comprender, díxome, que a máis alta autoridade académica universitaria da lingua galega son eu”. Insistiume en que as normativas non se deben á democracia senón a aptitude e competencia dos redactores. Tentei sen éxito que o conselleiro evitase aquela deleiba. Pouco tempo necesitaron estas Normas ortográficas do idioma galego para demostrar a súa inviabilidade.

Cando en 1983 se aprobou a Lei de Normalización Lingüística da Xunta de Galicia, centos de miles de libros de O Noso Galego dos oito niveis de EXB estaban xa repartidos por case todos os fogares con crianzas de Galicia. Todos estaban escritos coa normativa oficial das institucións académicas e políticas; as Bases elaboradas en 1977 pola lista de colaboradores que está ao comezo destas letras foron un paso que D. Ricardo non quixo dar coa maioría de colegas e antigos alumnos.

O Día das Letras Galegas de 1984 dedicouse a D. Armando Cotarelo Valledor. Tiña eu a responsabilidade, como subdirector xeral do libro, bibliotecas e arquivos, de editar un libro homenaxe a D. Armando e había de escoller os colaboradores. D. Ricardo xa levaba uns anos xubilado, pero conservaba un despacho na Facultade. Neste tempo aínda non firmaba Carvalho, pero na prensa e nalgunha revista xa usaba heterografías, sendo membro da Real Academia Galega. Citoume no seu despecho e agradoulle que lle pedise a súa colaboración para o libro que xa levaba título: A presencia de Armando Cotarelo en Galicia. Como non se podían admitir variantes fóra da norma oficial só quedaba a posibilidade que lle propuxen. “Entón que quere que lle faga sobre Cotarelo?” preguntou D. Ricardo. Pois, unha pequena antoloxía da obra literaria de D. Armando. “Moi intelixente, señor Maure”. E botou un sorriso. E en poucos día entregoume a súa “Escolla de textos galegos de Armando Cotarelo Valledor”.

Quen coñeza a súa vida de compromiso cultural e político, de prisión e represión administrativa, e sobre todo quen teña aproveitado o labor literario deste polígrafo, ten que recoñecer que ben merece a homenaxe do Día das Letras Galegas. Tamén é comprensible que os que sufriron atrancos no seu traballo de alfabetización das novas xeracións, os antigos alumnos e colegas de D. Ricardo que botaron a andar unhas Bases pra normalización en 1977, cando o primeiro catedrático de Lingüística e Literatura Galega non recoñeceu a grande sorte de poder ser un de tantos, o “primus inter pares”, é comprensible que a memoria non lles axude a celebrar este ano a nosa festa das letras.

D. Ricardo nos cinco últimos anos da súa vida deixouse converter no referente dos que mesturaban a crítica a administración galega coa defensa dunha heterografía teoricamente máis europea e presuntamente con máis futuro porque estaba próxima a ortografía portuguesa. Estes días, xentes que non naceran cando aparecera a «Lúa Nova», aproveitan o Día das Letras de D. Ricardo para defender unha escrita galega de presunta difusión universal, con marca de partido ou de sindicato, científica e patriótica ao mesmo tempo. O malo é que esta festa en este ano foi atacada por unha pandemia; en portugués, uma pandemia; e umha en que, D. Ricardo?

Val de Miñor, nadal 2020 .-X. M. Rivas»