Eduardo Maragoto: “A língua portuguesa tem de ser ensinada, ouvida e lida na Galiza”

«[…] Como pode contribuir a língua portuguesa para a Galiza?

Eduardo Maragoto no Portal Galego da Língua

Nos dias de hoje poucas pessoas defensoras do galego têm dúvida de que é urgente que o português chegue ao ensino na Galiza. Para já, é um recurso desaproveitado pelos galegos e galegas de um ponto de vista sociocultural e económico. Até a direita galega, tradicionalmente desinteressada nesta questão, foi capaz de ver isso quando avançou com a Lei Paz Andrade. Por outro lado, seria vital para o próprio galego, que escamba para o castelhano a graNde velocidade, para reforçar a sua estrutura interna. O contacto com o português permitiria a revalorização do léxico e das estruturas genuínas galegas. Repara, quando eu era criança, os adultos costumavam usar o verbo “brincar” com o mesmo valor que tem em português. Hoje, só três décadas depois, quase toda a gente usa só “jogar” com esse valor, como em castelhano, mesmo nos livros infantis editados para ensinar galego às crianças. Qual foi o problema? A desconexão do português. A língua portuguesa tem de ser ensinada, ouvida e lida na Galiza. É a única forma que eu vejo nos dias de hoje para parar essa deriva. […]»

Cf. Portal Galego da Língua

Cursos grátis a distância em universidades renomadas

Imagem: Adobe Stock

«É possível adquirir novos conhecimentos e incrementar o currículo com cursos das melhores universidades sem precisar se dedicar ao vestibular e sem gastar pequenas fortunas nas instituições particulares renomadas. Universidades reconhecidas no Brasil e no mundo oferecem diversas opções de cursos online grátis, livres e de extensão, com ou sem certificado. É o caso de USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), UnB (Universidade de Brasília), FGV (Fundação Getúlio Vargas) e até internacionais, como Harvard e MIT (Massachusetts Institute of Technology), entre outras […]».

Cf. UOL- Educação

Nace Raposeiras Editorial, sen preconceptos gráficos

Os novos proxectos culturais semellan non esquecer os vínculos naturais entre o galego e o portugués, dun modo útil e libre de preconceptos:

Xirasois Cubistas, 1964 – Marevna

«[…] EDICIÓNS EN DIFERENTES LINGUAS

O noso interese pola edición en diferentes linguas baséase no actual contexto de diglosia. Temos un compromiso co noso idioma, e defendemos a posibilidade de atopar material didáctico e cultural nas diferentes normas do galego, en castelán e en inglés.

Apostamos polo binormativismo

Porque cremos na necesidade de normalizar unha situación que é unha realidade hoxe en día.

Cremos que o galego internacional e o galego RAG deben convivir en igualdade, para iso é preciso a formación e a divulgación da norma AGAL, así coma a súa oficialidade.

Por esta realidade, desde Raposeiras Editorial apostamos por contribuír na divulgación de material didáctico e cultural nas dúas normas […].»

Cf. Wendy Carolina: “Raposeiras vai editar en galego normativo e en reintegrado” (Nós Diario) e web Raposeiras Editorial.

Vítor Vaqueiro: “Há uma tendência a pôr barreiras artificiais ao achegamento ao português”

Vítor Vaqueiro por M. Caeiro (cf. Nós Diario)

«[…] Um linguista muito reconhecido, Miquel Siguán, admite que uma norma se decide por motivos extralinguísticos. É algo convencional. Não sei por que se escolhe uma fórmula como “man” fronte a “mão” quando a segunda é absolutamente maioritária.

Há uma tendência a pôr barreiras artificiais ao achegamento ao português. Eu non falo como uma pessoa de Valença do Minho ou de Coimbra. Há que reivindicar o léxico galego, e depois todo aquilo que exista já em português não temos por que o inventar. Sei que isto traz umas consequências tremendas, porque a editorial na que esteve durante 45 anos nega-me que possa publicar.

Até há uma sentença do Tribunal Superior de Justiça da Galiza dos anos 90 que diz que ninguém pode ser descriminado pela sua forma de escrever, um pleito da universidade de Vigo coa Xunta, que impugna os estatutos desta nos que se admite qualquer grafia. Editoras, prémios, concursos… seguem a ignorar isso […]».

Cf. NÓS DIARIO: Vítor Vaqueiro: “A normativa oficial do galego é um dispositivo de espanholização”

Os documentos que certifican que o galego era a lingua máis importante da Península no século XIII

O Arquivo da Real Academia Galega acaba de completar unha importante incorporación aos seus fondos dixitalizados dispoñibles na Rede. A colección de pergameos da institución, 285 escritos do século XII ao XVIII, inclúe bulas, privilexios reais, foros, doazóns, contratos de compravenda, sentenzas xudiciais e outros manuscritos, de orixe pública e privada, agora dispoñibles para todo o público no Arquivo Dixital de Galicia. A RAG celebra así o Día Internacional dos Arquivos e, nas vésperas desta conmemoración, propón unha viaxe desde academia.gal á Idade Media, guiada polos académicos Pegerto Saavedra e Henrique Monteagudo, a través de dous destes pergameos destacados: o máis antigo da RAG e o máis vello dos escritos en galego da institución.

O 10 de maio de 1259 Sancho Fernández e a súa dona, Maior Fernández, asinaban unha venda de eguas ao mosteiro de Caaveiro. O documento que a recolle é, de todos os pergameos datados da RAG, o máis antigo escrito en galego, nun momento en que a nosa lingua aínda empezaba a consolidarse neste tipo de textos. “Aínda que se conservan uns poucos documentos notariais redactados en galego desde a década de 1230-1240, ata 1250 a lingua que se utilizaba nestes textos era o latín, como na xeneralidade dos escritos, con excepción das cantigas trobadorescas. A partir do ascenso ao trono do rei Afonso X O Sabio (1252) comeza a usarse cada vez máis o galego, pero antes de 1260 os documentos nesta lingua aínda son escasos”, explica o académico Henrique Monteagudo.

Ruben Martins: ‘O galego vai salvar-se no português? A situação linguística na Galiza’

‘Santiago de Compostela ouviu a “Grândola” do Zeca [Afonso] primeiro que todos os outros lugares: a 10 de Maio de 1972, o português José Afonso, que considerava a Galiza a sua “pátria espiritual”, tocou por ali a canção que se tornou num importante símbolo da Revolução de Abril. Hoje, a poucos metros do lugar onde o cantautor apresentou as estrofes «O povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade», está lá, há pouco mais de uma década, um parque imortalizado com o seu nome. O sentimento de José Afonso pela população que habita no Noroeste peninsular ficou registado num pequeno discurso que fez antes de interpretar “Achégate a mim, maruxa”, a 23 de Fevereiro de 1980, na Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço, nos arredores de Viana do Castelo. O espectáculo, gravado em disco, permite-nos recordar cada palavra do que ali se disse há mais de 40 anos: «A Galiza (…) pertence à mesma realidade cultural que Portugal, sobretudo o Norte de Portugal; mas por artes de berliques e berloques, partilhas, lutas entre senhores feudais, hoje existe uma fronteira a separar povos que têm praticamente a mesma língua e que são, aliás, muitíssimo semelhantes, até na sensibilidade. Portanto, os galegos falam galego, ou seja, galaico-português, e não castelhano. Infelizmente, durante a ditadura franquista, tudo foi feito para que os galegos se envergonhassem da língua que falavam”.